Ela e os seus quinze anos.

Ela tinha quinze anos, não podia votar, mas sentia uma pulsão de vida, uma vontade de ir além, lutar... Ela queria votar.
 Via pessoas com bandeiras nas ruas, ouvia e via algo espaçado na televisão; era um homem de terno arrumado, cabelo alinhado, mas de sorriso falso, não mexia com ela, falava como rico, falava aos ricos. Então, não era a ela que ele se dirigia. 
No entanto, havia o outro, que usava barba, blusa de botão, como seus tios. Quando ele falava, levantava os braços, era empolgado, e ela se via ali, sim, ele falava como pobre, para os pobres, ela era pobre. Então, era com ela, e era nele que ela queria votar, mas ela não podia.
Esse homem que chamou sua atenção falava com as pessoas do seu meio, pessoas que ela conhecia, ele falava de coisas que, hoje ela sabe, são direitos essenciais.
E se houve um nascimento de seu posicionamento político, seu olhar de esquerda, seu sentimento vermelho, foi em 1989, na primeira candidatura de Luís Inácio Lula da Silva. Seguem-se, de lá para cá, trinta e três anos que a menina de quinze pulsa por luta! 
Mas hoje, ela pode votar. Ela resiste e segue adiante.

Por: Alany

Comentários

  1. lindo! li e me identifiquei bastante nessa menina

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  2. Parabéns! Lindo relato. Assim como essa menina de 15 anos o Brasil foi contagiado por essa pulsão de vida. Não nos abatemos. Resistimos e seguimos adiante.

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  3. Texto apaixonante, assim como o homem barbudo. 🥰🌹😘

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  4. A leitura me remeteu à minha filha, que não pode tirar o título em 89 por não ter os 16 completos. A diferença entre minha filha e minha amiga.(a menina) é que levei minha filha para as campanhas desde 1982.

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  5. Então vocês eram as pessoas que ela *via nas ruas com bandeiras ❤️❤️❤️

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  6. Que lindeza minha amiga, que esta criança cheia de sonhos, boas lutas e esperança, renasça, fortemente, a cada dia de sua vida ativa e iluminada!!! Amei!🙌🏽❤️😙😍🌼

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  7. Ahhhh eu também me lembro de uma eleição... Lembro tambem quando aos 16 anos completados em dezembro, eu corri pra tirar o título e votar nos meus candidatos de esquerda (na época, Rosa da Fonseca e Maria Luíza).... e hoje, vejo tantos adolescentes alheios a este momento político. A esperança precisa nascer de novo!

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  8. alany, querida,
    perdão, por meu sono,
    por meu abandono
    da náusea e da dor...
    nos meus quinze anos
    de despoesia,
    eu não sonharia
    em "ser eleitor"!...

    eu tinha um "cândido":
    não um candidato,
    meu pai — sem mandato,
    sem bens e sem voz;
    só era silêncio
    nos meus olhos fundos,
    sonhando com mundos
    mais leves, pra nós...

    mas... no noticiário,
    tudo era perfeito,
    e estava do jeito
    melhor que se viu...
    a lei do silêncio,
    nos anos setenta...
    e nada se tenta
    na vida civil!

    somente uma coisa,
    alany, querida,
    mudei nessa vida:
    amei o violão!
    e desde esse tempo,
    tocando e andando,
    cantei, me encantando
    em cada canção...

    ...........................

    eis o que recordo
    dos meus quinze anos...
    silêncios, enganos,
    sem voz e sem sol...
    da vida no fado,
    na minha poesia,
    jamais pensaria...
    ser um girassol!...

    ❤️🎵

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