MANIFESTO DO COLETIVO GIRASSÓIS

Feito com base no Manifesto Fundador, de 17 de novembro de 2018

O Coletivo Girassóis - Espíritas pelo Bem Comum nasceu de uma inquietação durante o pleito eleitoral de 2018. Mas ultrapassou aquele momento quando assumiu o compromisso de aproximar, cotidianamente, o Espiritismo das questões sociais.
Em 2018, pesquisa de intenção de voto no segundo turno, feita pelo Data Folha, apontava que 48% da comunidade espírita votariam em um candidato que era, explicitamente, a favor da pena de morte, da liberação de armas para civis e do uso da tortura. Defendia, ainda, a censura e propagava um discurso de desvalorização da dignidade de mulheres, da comunidade LGBTQIA+; de negros(as), indígenas e de todos os segmentos marginalizados da população brasileira. Incitava o expurgo e até mesmo o aniquilamento de seus opositores e condenava manifestações e movimentos populares legítimos.
Percebemos, ainda, que, no seio daquela candidatura, existia não apenas uma real e compreensível ignorância, mas, também uma proposital e organizada corrente de desinformação coletiva que, de modo eficaz, desconstruía os valores cristãos e deturpava a importância de direitos humanos e sociais já conquistados. Ali, já entendíamos que tais posicionamentos eram absolutamente discrepantes dos valores pautados pela Moral Cristã e, portanto, pelo Espiritismo.
A ausência de posicionamento de entidades federativas, as falas públicas de algumas lideranças espíritas, o silêncio de outras, e os graves conflitos internos vivenciados em muitos grupos espíritas diante das divergências eleitorais daquele momento nos fizeram refletir. Ao mesmo tempo, vimos expostas a ambiguidade e a fragilidade da ingênua concepção que julga existir uma separação entre política e religião.
Tal situação nos instigou a pensar sobre o papel histórico do Movimento Espírita no Brasil. Movimento que deve ser pautado pela caridade – entendida como um ato de respeito, acolhimento, compaixão e amor – e pelo compromisso com a educação moral do Espírito, como também, pela defesa do bem comum e pela valorização da vida, com toda a sua diversidade. Afinal, o amor praticado por Jesus teve uma missão social e domínio político na medida em que se voltou para sofredores e injustiçados.
Já no burburinho das redes sociais, observamos, com pesar, incontáveis manifestações de insatisfação, revolta, frustração, tristeza e decepção... Muitos irmãos sentiram-se desamparados e até mesmo excluídos nos centros espíritas em que trabalhavam ou frequentavam. Iniciamos, então, um movimento de acolhida, cuidando uns dos outros, e de reflexão acerca dos desafios e incertezas cujo futuro do nosso país apontava. Daí, o símbolo Girassóis – uma flor que cresce em direção ao sol e, em dias nublados, vira-se uma para a outra, buscando energia.
Assim, o Coletivo Girassóis - Espíritas pelo Bem Comum é, antes de tudo, uma oportunidade de encontro entre diferentes indivíduos – cada um com uma ampla gama de saberes e formações – dispostos a colaborar para enfrentarmos os tempos de incertezas que vivenciamos. Orientado pelos princípios filosóficos e morais do Espiritismo, o Coletivo é também um espaço para refletirmos juntos sobre a contribuição que a Doutrina Espírita pode dar para o entendimento sobre as questões do nosso tempo. É possível articular as dimensões da transcendência e da existência humana? Como ser resposta ao enfrentamento dos problemas sociais?
Com tais inquietações, desejos e sonhos, nossa intenção é realizar encontros e fóruns permanentes de debates; grupos de estudos e vivências, articulando a Doutrina Espírita, o ser humano e os problemas sociais que nos cercam. Nossas reflexões se baseiam na moral de Jesus Cristo, nos ensinamentos dos bons Espíritos, organizados por Allan Kardec, e em autores como León Denis, Deolindo Amorim e Eurípedes Barsanulfo. Nosso desafio é, unindo a dimensão filosófica e científica do Espiritismo, aproximá-lo da vida humana, individual e coletiva, como fez Alan Kardec no século XIX.
Compreendendo, por fim, que o dogmatismo não produz a práxis, não tememos o debate, advindo das teorias políticas e sociais. Acreditamos que, a partir das bases espíritas, amadurecidas no pensamento crítico, poderemos realizar a síntese que nos levará a transformação da realidade, a começar por nós mesmos. Atendemos, sobretudo, ao chamado do Mestre Jesus que nos convoca ao testemunho e ao protagonismo do Evangelho.
Fortaleza, 04 de agosto de 2019.

Comentários

  1. Ao reler o manifesto, um filme passou por minha cabeça... quanto já caminhamos desde então!

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  2. Trajetória do nosso coletivo. Vcs que idealizaram, que cordenam nos deixam felizes com o sucesso desta caminhada. Vibrando e ansiosa pelo #forab...

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