I FÓRUM SOCIAL ESPÍRITA – REFLEXÕES SOBRE A ATUALIDADE
Em 2019...
04 de agosto de 2019. Casa José de Alencar. Fortaleza-Ceará
FÓRUM SOCIAL ESPÍRITA REÚNE MAIS DE CEM PARTICIPANTES
Com o tema “Reflexões sobre a Atualidade”, o I Fórum Social Espírita,
organizado pelo Coletivo Girassóis – Espíritas pelo Bem Comum, reuniu 110 pessoas na
Casa José de Alencar, durante todo o domingo, 4 de agosto. A ideia de discutir
temáticas sociais sob a luz do Espiritismo atraiu espíritas e simpatizantes da Doutrina,
que moram em Fortaleza e no interior do Ceará. Além de integrantes do grupo
pernambucano, Ágora Espírita.
As mesas de debate “História Social do Espiritismo”, com a participação de
Ângela Linhares, Lídia Pimentel e Fabrício Maicy, e “Evangelho do Cristo: guia de
conduta a intervenções sociais”, com Eugênia Canto, Elber Boaventura e Cosme
Santos, abrilhantaram a manhã do domingo. No debate, reflexões sobre a práxis
espírita, capitalismo e política; como também sobre que relações podem ser feitas
entre os ensinamentos de Jesus, Espiritismo e a vida cidadã.
Já a tarde foi reservada para as discussões em sete grupos temáticos que
trataram de temas diversos. Participação Espírita e Manifestações Populares; Saúde e
Espiritismo; Espiritismo e Diálogo Interreligioso; Educação Espírita no Contexto da
Família Atual; Violências e a Ética Espírita; Relações de gênero na Concepção Espírita;
Ecologia e Espiritismo. No final do dia, a última plenária aprovou 36 diretrizes que
nortearão as ações do Coletivo até o próximo Fórum, previsto para 2020.
O I Fórum Social Espírita contou ainda com apresentações musicais do: Grupo
Musical do Cefa (Centro Espírita Francisco de Assis), Márcia Paiva e Tarciso Lima. Além
da feira itinerante de livros espíritas do Centro Espírita Alvorecer, e de uma cantina
solidária. Os participantes também doaram livros à III Caravana Solidária Educação e
Harmonia Social, que arrecada livros ao Projeto Livro Aberto, executado pela Sejus
(Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará), que visa à ressocialização de
detentos, através do incentivo à leitura nos presídios cearenses. Foram ainda
informados sobre a importância da doação de sangue, através de material educativo
fornecido pelo Hemoce (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará).
DIRETRIZES APROVADAS NO I FÓRUM SOCIAL ESPÍRITA
Participação Espírita e Manifestações Populares
1 Estimular a discussão política na perspectiva do ideário e não de questões partidárias
2 Fortalecer o caráter científico e filosófico do Espiritismo, promovendo discussões
sobre questões sociais e filosóficas nas casas espíritas, rejeitando tabus e dogmas
3 Estar presente, dialogando nos diversos espaços das lutas sociais, apresentando-se
como espíritas, e se posicionando explicitamente, com coragem e ousadia,
fundamentados no Evangelho
4 Promover formações, cursos, grupos de estudos, seminários, fóruns etc.,
aproximando o Espiritismo das questões sociais
5 Estimular mediúnicas de estudo sobre temas sociais, a exemplo de Kardec
6 Incentivar a participação nas instâncias de decisões e poder
7 Levar às casas espíritas as discussões sobre política e Espiritismo
8 Articular ações itinerantes, indo até os bairros de Fortaleza e para o interior do
Ceará, como também, a outros estados
9 Promover discussões sobre a participação da sociedade civil nos conselhos, que vem
sendo reduzida nos últimos meses
Saúde e Espiritismo
10 Compreender-se, no mundo que se habita, numa perspectiva afirmativa, evitando
lamentações e vibrações na dor
11 Introduzir temas políticos nos centros espíritas, de forma amorosa e nos estudos do
Evangelho
12 Promover a educação do Espírito para promoção da saúde por meio do Evangelho
(como temática do Atendimento Espiritual e em grupos de estudos)
13 Estimular reflexões para se entender o fenômeno da vulnerabilidade e da exclusão
social como gerador de sofrimento social e adoecimento para, assim, criar linhas de
atuação
14 Defender a universalização do SUS (Sistema Único de Saúde)
15 Promover e incentivar a participação dos Espíritas em instâncias colegiadas de
políticas públicas e nos movimentos sociais
Espiritismo e Diálogo Interreligioso
16 Estimular o estudo dos princípios das religiões, a fim de promover maior conhecimento
sobre estas
17 Realizar intercâmbios com praticantes de outras religiões e doutrinas, que possuam visões
sociais semelhantes (envolvimento da fé e política)
18 Promover palestras nas casas espíritas sobre as religiões afrobrasileiras e o Espiritismo
19 Realizar um encontro ecumênico
Educação Espírita no Contexto da Família Atual
20 Promover encontros de sensibilização/formação de trabalhadores espíritas quanto à
temática “família no contexto atual”
21 Promover momentos de sensibilização entre os espíritas para integrar seus filhos nos
processos de evangelização no lar e também no centro espírita (educação começa em
casa/fortalecer a família espírita)
22 Sair da casa espírita, aproximando-se das comunidades (bairros, escolas, associações etc.),
bem como das famílias, para evangelizar (palestras, rodas de conversas, Evangelho no lar etc.)
23 Trazer as discussões sobre gênero para o contexto familiar, criando nos próximos fóruns,
um único DT “Família, Gêneros e Sexualidades”
Violências e a Ética Espírita
24 Disseminar a cultura de paz, pensando estratégias e combatendo o discurso de ódio com
amor: ser pacífico, sem ser passivo
25 Promover encontros/vivências para cuidar uns dos outros, espaços lúdicos e de interação
positiva entre os afins; espaço fraterno
26 Criar uma agenda fixa de encontros mensais e presenciais para estudos de temas de
interesse do Coletivo
27 Criar estratégias para incentivar a participação de jovens no Coletivo
28 Promover debates e palestras sobre a democracia nas casas espíritas
Relações de Gênero na Concepção Espírita
29 Fortalecer o trabalho de humanização e sensibilização sobre as questões de gênero
30 Promover formações e capacitações dos trabalhadores espíritas sobre as questões de
gênero para acolhida desses indivíduos
31 Estimular a produção de literatura sobre a temática (consolidação textual)
Ecologia e Espiritismo
32 Estimular a consciência ecológica nas casas espíritas
33 Incentivar palestras sobre a temática “Ecologia” nas casas espíritas
34 Divulgar iniciativas inovadoras e exitosas na preservação ambiental
35 Trabalhar o consumo consciente sustentável
36 Estimular educação ambiental na Evangelização infantil
MANIFESTO DO COLETIVO GIRASSÓIS – ESPÍRITAS PELO BEM COMUM1
(lido na abertura do I Fórum Social Espírita)
O Coletivo Girassóis - Espíritas pelo Bem Comum nasceu de uma inquietação
durante o pleito eleitoral de 2018. Mas ultrapassou aquele momento quando assumiu
o compromisso de aproximar, cotidianamente, o Espiritismo das questões sociais.
Em 2018, pesquisa de intenção de voto no segundo turno, feita pelo Data
Folha, apontava que 48% da comunidade espírita votariam em um candidato que era,
explicitamente, a favor da pena de morte, da liberação de armas para civis e do uso da
tortura. Defendia, ainda, a censura e propagava um discurso de desvalorização da
dignidade de mulheres, da comunidade LGBTQIA+; de negros(as), indígenas e de todos
os segmentos marginalizados da população brasileira. Incitava o expurgo e até mesmo
o aniquilamento de seus opositores e condenava manifestações e movimentos
populares legítimos.
Percebemos, ainda, que, no seio daquela candidatura, existia não apenas uma
real e compreensível ignorância, mas, também uma proposital e organizada corrente
de desinformação coletiva que, de modo eficaz, desconstruía os valores cristãos e
deturpava a importância de direitos humanos e sociais já conquistados. Ali, já
entendíamos que tais posicionamentos eram absolutamente discrepantes dos valores
pautados pela Moral Cristã e, portanto, pelo Espiritismo.
A ausência de posicionamento de entidades federativas, as falas públicas de
algumas lideranças espíritas, o silêncio de outras, e os graves conflitos internos
vivenciados em muitos grupos espíritas diante das divergências eleitorais daquele
momento nos fizeram refletir. Ao mesmo tempo, vimos expostas a ambiguidade e a
fragilidade da ingênua concepção que julga existir uma separação entre política e
religião.
Tal situação nos instigou a pensar sobre o papel histórico do Movimento
Espírita no Brasil. Movimento que deve ser pautado pela caridade – entendida como um ato de respeito, acolhimento, compaixão e amor – e pelo compromisso com a
educação moral do Espírito, como também, pela defesa do bem comum e pela
valorização da vida, com toda a sua diversidade. Afinal, o amor praticado por Jesus
teve uma missão social e domínio político na medida em que se voltou para sofredores
e injustiçados.
Já no burburinho das redes sociais, observamos, com pesar, incontáveis
manifestações de insatisfação, revolta, frustração, tristeza e decepção... Muitos irmãos
sentiram-se desamparados e até mesmo excluídos nos centros espíritas em que
trabalhavam ou frequentavam. Iniciamos, então, um movimento de acolhida, cuidando
uns dos outros, e de reflexão acerca dos desafios e incertezas cujo futuro do nosso país
apontava. Daí, o símbolo Girassóis – uma flor que cresce em direção ao sol e, em dias
nublados, vira-se uma para a outra, buscando energia.
Assim, o Coletivo Girassóis - Espíritas pelo Bem Comum é, antes de tudo, uma
oportunidade de encontro entre diferentes indivíduos – cada um com uma ampla
gama de saberes e formações – dispostos a colaborar para enfrentarmos os tempos de
incertezas que vivenciamos. Orientado pelos princípios filosóficos e morais do
Espiritismo, o Coletivo é também um espaço para refletirmos juntos sobre a
contribuição que a Doutrina Espírita pode dar para o entendimento sobre as questões
do nosso tempo. É possível articular as dimensões da transcendência e da existência
humana? Como ser resposta ao enfrentamento dos problemas sociais?
Com tais inquietações, desejos e sonhos, nossa intenção é realizar encontros e
fóruns permanentes de debates; grupos de estudos e vivências, articulando a Doutrina
Espírita, o ser humano e os problemas sociais que nos cercam. Nossas reflexões se
baseiam na moral de Jesus Cristo, nos ensinamentos dos bons Espíritos, organizados
por Allan Kardec, e em autores como León Denis, Deolindo Amorim e Eurípedes
Barsanulfo. Nosso desafio é, unindo a dimensão filosófica e científica do Espiritismo,
aproximá-lo da vida humana, individual e coletiva, como fez Alan Kardec no século XIX.
Compreendendo, por fim, que o dogmatismo não produz a práxis, não
tememos o debate, advindo das teorias políticas e sociais. Acreditamos que, a partir das bases espíritas, amadurecidas no pensamento crítico, poderemos realizar a síntese
que nos levará a transformação da realidade, a começar por nós mesmos. Atendemos,
sobretudo, ao chamado do Mestre Jesus que nos convoca ao testemunho e ao
protagonismo do Evangelho.
Fortaleza, 04 de agosto de 2019.
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Feito com base no Manifesto Fundador, de 17 de novembro de 2018
Este foi um momento ímpar! Nosso primeiro fórum.. Já vamos pra quarta edição neste ano!
ResponderExcluirA descoberta de soluções acarreta às vezes uma abertura de nossas mentes. Devemos ter uma noção da quantidade de objetivos e intenções que disso causam.
ResponderExcluirO Girassóis não é apenas um grupo bem intencionado. Sua composição reflete uma vontade política de ir além dos limites que nos é ofertado nas ações e literaturas oficiais, institucionais. Nossos corações palpitam a curiosidade pedagógica dos inícios da Codificão Espírita. Este é o combustível dos encontros e desencontros de propostas tanto sobre as marcas quanto do caminho a seguir. Se moral, científico ou religioso, não o sabemos de concreto, todavia caminhamos juntos. Isto porquê todos conseguem antever o as metas futuras, mesmo que por caminhos distintos.
ResponderExcluirFelicitações à todos Girassóis, pois sou pétala, também, deste Jardim 🌻