SER MÃE E A GESTAÇÃO DA VIDA PELO CORAÇÃO.
Por: Lidia Valesca Pimentel
Na mitologia grega, as forças primordiais fizeram o mundo. Uma dessas forças é Gaia, a terra mãe, nascida do caos que foi gerando seus complementos, o céu, o mar e Urano, o pai dos seus filhos. Gaia nasceu juntamente com Eros, o amor primordial, força propulsora que fez brotar a vida. Esse é o jeito mítico de explicar algo tão grandioso que é a criação do mundo. Essa estória é longa e em seus meandros, tudo o que existe no mundo é fruto de um cruzamento entre seres celestiais cuja potência cria e dá ao mundo os filhos da criação.
Para além da sabedoria dos mitos, é certo que o nascimento de uma pessoa é a consequência de um ato natural, de uma gestação que se cumpriu num tempo de espera até que a vida brotasse com a sua força. É a mãe a guardiã da vida dentro de seu próprio corpo, o útero. Ela doa de si para a nutrição da nova vida, de suas entranhas o alimento que fortifica, que permite que um bebê venha ao mundo.
Na filosofia Espirita, a materialização do espirito no plano terreno se dá no ato da concepção pela lei de atração, uma escolha ou um ato impositivo, para que na jornada terrena mãe e filhos possam aprender. O aperfeiçoamento do espirito se dá pela oportunidade da reencarnação. Esse encontro espiritual faz ressoar o amor entre aquele que aceitou a tarefa de acolher quem chega ao mundo, como expressão de Deus para a humanidade.
Mesmo com toda a força da atuação da natureza, a maternidade é essencialmente uma força social e psíquica. Por isso, o que faz uma mãe ser mãe é o reconhecimento mutuo de um vínculo entre ela e seu filho. É nesses termos que a mãe é aquela que assume a condição de acolhimento e cuidado do outro.
Foi o que fez Jesus quando disse a João na hora de sua morte na cruz: “João, Eis aqui a tua mãe”. Transcrevo aqui todo o trecho:
“Estava junto da cruz de Jesus sua Mãe, Maria , mulher de Cléofas, e Maria Madalena: e vendo Jesus sua mãe, que estava em pé, e o seu discípulo predileto, diz para sua Mãe: Eis aí o teu filho, e depois diz para o discípulo: Eis aí tua Mãe; — e desde aquela hora o discípulo a tomou naquela conta” (João, 19:25-27)
Sabe-se que João cuidou de Maria, sua mãe adotiva até o seu desencarne! Foi assim que Jesus abriu um caminho para a adoção socioafetiva.
Penso aqui em todas as mães possíveis. Aquelas que assumiram a tarefa do cuidado com o outro. As mães de santo, guardiãs da comunidade de muitos filhos; as mulheres protetoras da floresta; as mães cuidadoras de animais, as trabalhadoras incansáveis para o cuidado da vida; Mães que são ao mesmo tempo as tias, avós, irmãos mais velhos, todos aqueles que escolhem um jeito de estar no mundo para contribuir com Deus na tarefa da criação e perpetuação do amor e da vida.
Um dos textos mais lindos,profundos e sensíveis que já li sobre a honrosa tarefa de ser mãe.Sintetizou tudo com a máxima delicadeza. Mãe, sinônimo de acolhimento.Parabéns,querida Lídia
ResponderExcluirNada é mais humano que o cuidar com o delicado toque feminino.
ResponderExcluirTexto lindo e profundo. Parabéns!
ResponderExcluirLídia, seu texto devolve a humanidade à todas as Mães do Mundo. E pras Mainhas também.
ResponderExcluirO amor maternal é uma experiência que nos auxilia no aprendizado sobre, um dia, amar incondicionalmente.
ResponderExcluirA maternidade sempre me tocou profundamente pela intrínseca relação que se estabelece entre dois seres que estarão eternamente comprometidos e vinculados um ao outro. Não é uma missão fácil, principalmente num mundo onde as relações sofrem a influência de forças antagônicas que estão permanentemente em luta. No entanto, a maternidade nos traz a possibilidade de vivenciar o AMOR que é o princípio, o meio e fim que irá se sobrepor a todas as misérias e a todo ódio.
ResponderExcluirRetornei. Ser Mãe, gestação. O primeiro deveria exigir em sua escrita iniciar com letra maiúscula. Pois, a partir de então, todos, sem exceção, entenderiam que não somos, não fomos e não seremos se não existir um ser que, na magnânima ação de vida, nos permite tocar e vivenciar um "atributo Divino". Dar a Vida. Somente o Criador poderia dar à outro "ser Divino", tamanha tarefa.
ResponderExcluirMãe, obrigado.
Lídia, obrigado.