«BLUES» ESPÍRITA‽
(fonte da Imagem/Arquivo:F102391~Strummin-Blues-Posters.jpg)
— Um «blues» espírita?... e pode?
Bem... pode!
Ao meu ver pode, mas com muitas ressalvas. Ressalvas estilísticas, técnicas, composicionais, sociais, culturais...
O «Blues» é uma música afroestadunidense da qual muito se quer dizer, por aqui, que se trata de manifestação musical «internacional»... Mas eu afirmo: ele é nacional, muito nacional, absolutamente nacional, a qual, no entanto, é internacionalmente apreciada! E há enorme diferença entre as duas ideias! Saca?
Outra afirmação que ouso fazer é que jamais, ou muitíssimo raramente, veremos um (grupo musical) estadunidense lançar uma música na Igreja Batista local, na cidade estadunidense tal, _*em ritmo de xote, baião, moda-de-viola...!*_ Mas em «blues», a gente encontra às carradas, e, via de regra, em primorosas performances! E esse é o óbvio: o «blues» é deles!!
Assim, apreciemos, curtamos, aplaudamos, emocionemo-nos com essa música!... mas não queiramos imitá-la, não invistamo-nos na divulgação desse estilo, que ele já tem quem o divulgue... e, aliás, tocando, cantando, «performando» lindamente, profissionalmente bem, muito bem!
Nós, como apreciadores «através da janela» (sim, somos de fora e contemplamos o fato, através de uma janela, de abertura geralmente bem exígua, bem exígua meeeeeeeeeesmo!), não temos isso no sangue, na vida; não respiramos, não transpiramos isso! como consequência, tocamos minimamente bem, imitamos «marromeno», em verdade, tocamos mal... nossa apresentação, em «blues», soa mentirosa, uma arte cheia de impropriedades, porque, para nós ela é imprópria. O xote, o xaxado etc., nos são próprios, temos propriedade, apesar de nem sempre termos proficiência...
E se esse «blues» for uma página cheia de riquíssimos ensinamentos espíritas? aí pode? À minha hipotética pergunta eu respondo incontinenti: Pode, sim! Com toda certeza: _lá naqueles mesmos centros, conforme exemplifiquei acima, nas cidades dos EEUU, quando os respectivos autores/cantores se imbuírem da mensagem do Consolador Prometido e resolverem difundir, na sua comunidade, essa mensagem, no estilo musical comum, inteiramente pertencente a cada um do corpo social... aí, nesse caso pode!_ E estou falando da canção, do resultado artísitico final: será, nesse caso, uma música sincera, vivida, vívida, não mentirosa. Fora disso, é experimentação, licencensiosidade, (ins)piração...
Olhe, se vc bem prestar atenção, em minhas composições há muitos detalhes que eu «tomo de empréstimo» à música andina, à música, estadunidense, à música flamenca, à música francesa, à música indiana... e reprocesso, revisto, tasco-lhes um ritmo de xote ou baião, ou mesmo na neutralidade das baladas, dou-lhes uma harmonia diferente, bem diferente de cada uma dessas músicas nacionais; misturo tudo com o doce e o salgado, com o amargo e o apimentado dos nossos estilos... e desse reprocessamento surge «alguma coisa» em que se nota certa influência desses locais e sua música... mas nenhum estará como veio, «véio»! Porque senão eu estaria morto como compositor; eu estaria passando (ou ridiculamente tentando passar) uma mensagem que não seria minha e com a qual eu não teria vinculações umbilicais! É o que eu chamo de espalhar por aí boatos e mentiras musicais...
É nesse sentido que me vejo intrasigentemente respondendo-lhe que «não, amigo: não pode!»
Obrigada pelo artigo Tarcísio!
ResponderExcluirUm texto que nos desloca, inclusive, dos padrões estilísticos! Ahhh o artista das notas musicais é também artista das palavras!
ResponderExcluirO meu (nosso) querido Poetinha, além de demonstrar de forma brilhante o porquê não devemos importar sentimentos, apresenta o seu método para compor: desconstruindo os ritmos conhecidos para recriar a partir dessa desconstrução. Lembrando o genial Tom Zé, o maior expoente que temos nesse método:
ResponderExcluirEu tô te explicando
Pra te confundir
Eu tô te confundindo
Pra te esclarecer
Tô iluminado
Pra poder cegar
Tô ficando cego
Pra poder guiar.
Não sou músico, não sei cantar afinado, não toco instrumentos fora percussão e apito.
ResponderExcluirMas, gosto muito de música em sua totalidade.
O Blues, assim como o samba e outros ritmos afro ou indígenas, possuem histórias em comum. Ambas foram renegadas e tiveram seus crescimentos no exílio.
São canções do exílio.
Tarcísio apresenta uma tese que merece não um comentário, mas momentos de reflexões.
Confesso, gosto muito do blues, a Banda Alma sonora tem uma música com esse ritmo, agora, a autenticidade americana?
Em minha opinião existem artes realizadas por espíritas, católicos, evangélicos... São artes feitas por religiosos.
Ao invés de escrever um comentário, peço uma música 🎶 que nas notas musicais deixa para nós essa alma nacional no blues, como foi com a bossa nova!...
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