O MEDO DE BEATRIZ


A Beatriz menina, sempre, escutava falar sobre os medos que as pessoas tinham. Eram tantos e de vários tipos e tamanhos: medo de barata, medo de sapo, medo de altura, medo de escuro, medinho, medão. A menina só ouvia falar, nunca tinha visto esse tal medo de perto, e achava que ele nem era tão assustador assim...
Um dia, Beatriz, viu tudo mudar com a chegada de um problemão vindo de outro lugar! Veio um bichinho pequeno e muito perigoso chamado Novo Coronavirus, que deixava as pessoas muito doentes. E, com o passar dos dias, o papai saía assustado para trabalhar... e só se ouvia que dentro de casa todos deviam ficar! A mamãe sempre preocupada, ninguém ia mais à escola nem podia abraçar a vovó e o vovô. E a menina pensava: “Tem alguma coisa errada!”
E, dia a dia, todos repetiam: “Beatriz, lave as mãos!”, “Beatriz, não pode sair não!”, “Beatriz, brinque dentro de casa!”, “Beatriz, essa mão tá bem lavada?!”...
E, sem ninguém perceber, um medinho, bem pequenininho, começou a nascer no coração da menina.
Esse medo era peralta, vivia a saltitar...
Muitas vezes ela ouvia o papai contar as notícias tristes, outras vezes ouvia a mamãe chorar baixinho... nada de abraços, afagos ou beijinhos...
E o medo de Beatriz começou a ficar maior e fazer bagunça no coração da pobrezinha.
Às vezes, ele pulava para seu estômago e fazia o mundo rodar.
Beatriz, aflita, não sabia o que fazer! Como pegar esse medo danado?!
Ele era esperto e escondia-se, sempre que tinha alguém por perto. Os pais de Beatriz nada percebiam e, quando ela ia contar, o danado do medo ficava entalado na sua pequena garganta. A menina, sem saber o que fazer, começou a chorar... O papai percebeu! A mamãe quis saber: “O que aconteceu, minha filhinha? Nada você deve esconder!”
Então, Beatriz abriu o berreiro e chorou litros de medo e aflição. Contou tudo que estava escondido dentro do seu coração.
O papai, com a voz mansa, convidou a família para fazer o Evangelho no Lar.
Todos juntinhos, leram histórias lindas sobre Jesus, que veio ao mundo trazer o amor e a luz. Também aprenderam sobre Deus, nosso Pai, que cuida de todos: plantas, gente e animais. E que o momento é triste e difícil, mas vai logo passar!
E oraram bem assim: “Deus, abençoa a vovó e o vovô, as pessoas sem abrigo, a criança e o professor. Que a dor nos ensine a fraternidade, a fé e o amor.”
O medo de Beatriz já não era mais gigante. Uma luz em seu coração foi ficando mais constante e ela teve a certeza que Deus cuida de todos, em todo lugar e a todo instante.
Beatriz, nquela noite dormiu tranquila, o medo medonho sumiço levou! E viva a família, viva a fé e viva o amor!

Comentários

  1. Lindo conto Cândida! Nos momentos de dificuldade a prece, o Evangelho nos fortifica.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Seu comentário é muito bem vindo!!

Postagens mais visitadas deste blog

No Dia Internacional da Mulher - pensemos nas mulheres iranianas

O AMOR E AS LEIS

Novas alianças, sem medo e com esperança.