As Eleições de 2022 e as novas cruzadas


Hoje, quando abri um post da BBC com a notícia de que “Perseguição contra os cristãos já começou no Brasil. Só que dentro da igreja”, eu, imediatamente respondi na mensagem, que isso também ocorre dentro de outros espaços, como os centros espíritas. Me veio à mente o ano de 2019 quando eu e Cosme França coordenamos, no I Fórum do Coletivo Girassóis, um grupo de discussão sobre Violência e Direitos Humanos. Esperávamos debater a violência nas periferias, o racismo e a violência de gênero etc., mas o grupo começou a narrar formas de perseguições e violências na casa espírita. Uma pessoa afirmou que foi hostilizada “mansamente” até se sentir sozinha e saiu, outra afirmou que foi convidada a se retirar das funções. O motivo foi os seus posicionamentos políticos. Nesse dia, eu chorei! 

Hoje, eu sei que o coletivo que ajudei a fundar tem uma missão de “oferecer um canto” a quem ficou sem espaço para sua atuação espírita. Às vésperas da eleição de 2022, a mais importante da história recente do Brasil, ao ler a mensagem sobre as igrejas, faço a reflexão que os cismas talvez sejam necessários para viver a verdade.

O cristianismo esteve perdido várias vezes nos dois mil anos de existência quando foi sequestrado pelas instituições. Por isso, podemos separar o cristianismo imperial do cristianismo primitivo. Isso porque o próprio Cristo não fundou uma religião. Ele se deu como exemplo para toda a humanidade. É uma proposta ética, espiritual, não religiosa propriamente dita, com as instituições e o poder que elas preservam. 

Em nome do Cristo muitas atrocidades foram realizadas nas cruzadas na baixa idade média ou a santa inquisição no final do medievalismo, duplo movimento dos poderes religiosos e do estado, simultaneamente, que usou da força e da violência para aniquilar o “inimigo infiel” de um suposto verdadeiro caminho.

Na atualidade, vimos, não faz muito tempo, no Oriente Médio, cenas de grupos de radicais islâmicos cortando cabeça de infiéis. Por aqui, há igrejas recrutando jovens para um “Exército de Cristo”, vestindo-lhes com uma farda com uma cruz no peito para defender o quê? As ideias de Jesus? 

Quem está no comando dessa vez não são as igrejas tradicionais, pelo contrário, os que comandam a nova guerra santa se voltam contra elas. São movimentos que se espalham disfarçados de renovados, mas que na verdade, ressuscitam as velhas estratégias de dominação das almas. As mesmas forças que jaziam na história, que perseguiam mulheres curandeiras, pessoas com outras crenças, a livre consciência e a autodeterminação já conquistadas.

A cristandade está vivendo um cisma e o que está em jogo é a doutrina cristã. É importante, neste momento da história, saber reconhecer a experiência essencial de Jesus, dos profetas e dos primeiros cristãos, anunciadores da boa nova. Tenho dito que não tem como deter a esperança, é preciso reconhecer de onde brota a novidade, quais são as suas fontes que lhe dão sustentação. Para reconhecer é preciso ver com os olhos do coração, pois, parafraseando o poeta apostólico em sua carta aos Coríntios: só o amor reconhece o que é verdade. 

Comentários

  1. Depois do I Fórum eu usei a camisa do Coletivo Girassois em uma oficina de enxovais de bebês e uma doce amiga disse baixinho: essa camisa não é aprovada outro dia um rapaz do grupo do estudo do sábado foi convidado a não usá-la. Eu gosta da atividade e como só ia para essa atividade apenas disse: a senhora tbm é um Girrasol, pois somos resistência no meio desses eleitores do Bozo.

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